Adão procurou seus amigos para se recompor de suas frustrações agrícolas. Mas não é que o leão tinha encontrado uma leoa? O bichano estufou o peito para a fêmea que lhe correspondia, e os dois tinham ido passear. Por causa disso, Adão foi chamar o cordeiro, que apareceu feito um cachorrinho de alegria ao ver o amigo finalmente disponível. Em seguida, no entanto, ouviram uns gemidos de dor, e quando correram para ver, era uma linda cordeirinha enroscada em um arbusto.
- Socorro, vim comer umas folhas, fui entrando no arbusto e agora não consigo sair.
Enquanto Adão, com muita facilidade, desprendia a fêmea, o cordeiro correu acudir a cordeirinha que lhe correspondia, e ela só teve ouvidos para os olhos apaixonados do cordeiro. Adão percebeu que estava sobrando.
Foi espairecer sozinho em um monte, de olhos para o céu, aquecendo-se no sol. De repente, uma sombra sobre seu rosto escondeu-lhe o sol.
- O que faz aí, tão sozinho?
Era a serpente, que costuma aparecer perto de corações confusos.
- Sozinho, eu?
- É por isso que você está tão triste?
- Triste, eu? - a serpente estava conseguindo convencer Adão da solidão e da tristeza.
Adão sentou-se, ficando à altura da serpente, e perguntou:
- O que você sabe sobre tristeza e sobre solidão?
Então a serpente deu um riso de desdém, dominadora:
- Ah! Sei que é horrível ser triste e sozinho...
A serpente se virou e começou a caminhar, dando uma última olhada no homem, como convite a segui-la. Assim, Adão começou a engatinhar na direção da serpente.
- Ei, espere, como faço para deixar esta tristeza e esta solidão?
- A primeira coisa a fazer – dizia a serpente, sem olhar para ele, seguindo em frente – é escapar deste sol que ofusca nossa vista.
Quando Adão percebeu, a iluminação tinha acabado e um leve frio arrepiou seu braço. É que estavam agora encavernados embaixo de uma grande árvore que os abraçava com seus galhos. Era tão grande e espessa que tapava o sol e impedia o vento fresco de passar.
- Depois... – continuou a serpente, subindo agora pela árvore e desaparecendo no verde amarelado das folhas, dando ainda para ouvir seu último conselho, como saindo delas – depois, é bom experimentar coisas novas.
Adão entendeu muito bem o que a serpente queria dizer: era um convite para experimentar do fruto daquela árvore, que parecia tão desejável.
Quem passasse ali perto, veria Adão de repente jogar-se para longe da árvore, como se tivesse sido atacado por ela. Lá debaixo ele tinha visto a marcação que havia feito no chão para saber do perigo da árvore do conhecimento do bem e do mal. A árvore tinha mudado de forma, de pequena para enorme, estava irreconhecível!
Ainda muito ofegante e assustado, pegou vários galhos e enterrou-os em vertical em volta da árvore, traçando cordas em horizontal entre eles, como uma cerca. Nunca mais queria correr aquele risco de chegar tão perto de uma árvore que parecia tão desejável.
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