Deus convidou Adão para um passeio. Era aquele final de manhã, perfumado e refrescante. Deus caminhava devagar, com os ouvidos inclinados cheios de bondade. Adão não parava de falar, estava muito entusiasmado para falar tudo o que tinha descoberto naquele pequeno pedaço do sexto dia. Suas falas eram interrompidas sem freadas bruscas; seus comentários eram aceitos como uma fruta saborosa; e também os comentários dEle vinham como um travesseiro para um corpo cansado. Ao lado de Adão caminhava alguém que realmente se importava e se alegrava com ele como nunca haverá outro na terra.
Deus mesmo que apresentou os quatro rios que moravam no Jardim. Chegou a caminhar sobre as águas:
- Vem também, você vai gostar.
Aí Adão foi, deu o primeiro passo meio titubeante, mas depois correu feito menino!
Então chegaram numa região do Jardim em que havia somente terra seca:
- Onde estão as árvores? Que lugar triste!
Deus levou Adão para uma colina muito alta, de onde se via todo o planeta. Dali dava para ver muito bem a beleza do jardim e a secura do outro lado ali perto.
- Tudo isso foi feito para você, aproveite o quanto quiser! Quero deixar você como o grande cuidador deste jardim, você pode se alegrar e se servir com todas as plantas, frutas, com os rios, mas quero também que você cuide dele, proteja, e onde houver terra seca, quero que você cultive as árvores e flores que desejar.
Sabe quando uma criança não espera ganhar nenhum presente, e daí seu pai chega com um embrulho todo colorido, e daí então quando ela abre o embrulho descobre que lá dentro está aquilo que o menino mais queria no mundo inteiro? Puxa! Adão estava muito mais alegre que aquele menino. Mas sabe quando a alegria é pega de surpresa e daí fica tão boba que não consegue nem sorrir? Era assim, Adão ficou calado até a cabeça dele processar tudo o que estava acontecendo. O coração tava esticando, pois estava lotado de satisfação.
Desceram a colina, e agora estavam em frente a duas árvores. Aproximaram-se de uma árvore com flores muito coloridas, e com um fruto muito brilhante. Era alta, e parecia que havia frutos em todos os galhos.
- Coma sempre deste fruto, e você viverá para sempre!
Adão não pensou duas vezes e deu uma mordida na fruta. Puxa! O suco da fruta se espalhou fazendo delícias por todo o corpo e o sabor da fruta parecia que descia cantando pela garganta!
- Você caprichou nessa, heim? Caramba, que fruta deliciosa! Que mais eu posso querer neste mundo?
Adão nem percebeu que Deus estava diferente, meio triste, cabisbaixo.
Está é a árvore do conhecimento do bem e do mal – Ele apontou para a segunda árvore, pequena, um pouco distante e sozinha – coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá.
- Beleza! - respondeu Adão, considerando que, diante de tanta coisa boa que Deus havia feito para ele, ia ser fichinha não comer do fruto de uma única árvore.
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