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não perca o décimo segundo capítulo... será que Adão e Eva se entenderão, sendo tão diferentes?

Capítulo 7: quando Adão teve pressa em cultivar a terra.

O sol estava lá no alto, e além de ser carinhoso, as nuvens absorviam qualquer intenção de excesso de calor que tirasse a perfeição daquele dia. Nesta manhã, Deus havia dado uma ordem a Adão: que cuidasse do jardim e desse nome às coisas. Embora estivesse um pouco atrapalhado, estava inteiramente envolvido com o trabalho. Mergulhou tanto na atividade que até esqueceu que Deus estava por ali, tanto que nem percebeu quando Ele foi embora. 
 Estava tentando arrumar um ajudante: falou com os macacos, mas simplesmente não conseguiam ajudar. Depois tentou com as tartarugas, pior ainda.
 - Não há aqui ninguém que possa ser um auxiliador idôneo, ninguém que possa ser meu companheiro de trabalho.
 Frustrado, decidiu então deixar um pouco de lado a ciência, e partiu para a agricultura. Foi até a região da terra seca, sem qualquer plantio. Desenhou na areia mais ou menos um plano: aqui plantaria isto, ali plantaria aquilo etc. Estava animado para que ainda naquela tarde tivesse um novo jardim naquele lugar.
 Saiu colher as sementes. Fez diferentes cestinhos de folhas, em que depositava tipos diferentes de sementes. Em seguida, demarcou toda a área, e passou a um delicado trabalho de depositar as sementes. Arrumou-as com cuidado e zelo. Estava entretido naquele trabalho de tal modo que não adiantava o leão o chamar para brincar no rio.
 Quando terminou de depositar todas as sementes, olhou orgulhoso para todo aquele campo.
 - Vamos descer na cachoeira! - chamavam o cordeiro e o leão – depois você volta aqui.
 Adão nem respondia.
 Quando concluiu o trabalho de depositar as sementes, ajoelhou-se sobre uma delas e passou a soprar sobre o montinho. Soprou e soprou e nada da folha crescer. Não acontecia como Deus havia feito. Deus soprava e a folha crescia imediatamente. Decidiu soprar outra, e outra, mas elas não cresciam como quando Deus fazia. Começou a pensar que tivesse feito o trabalho errado. Começou a perder a paciência. Deus havia dito que ele tinha que esperar a plantar crescer, no seu tempo devido, mas ele não estava com paciência para aquilo, precisava muito ver o resultado do seu trabalho naquele momento. O que Deus tinha que o homem não tinha? O que Deus sabia que o homem não sabia?
 Assim a sua frustração aumentou, sentiu-se impotente diante daquela terra seca que não brotava e começou a achar que não conseguiria colocar nomes em todos os animais. Perdido e sem saber o que fazer, seus olhos repousaram sobre a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. E estava sozinho.
 Aproximou-se da árvore, como se tivesse hipnotizado pela sua própria frustração. Um passarinho rapidamente pousou sobre o seu ombro, cantando em seu ouvido uma canção estridente, que o trouxe à realidade como quando se acorda de um sonho com sobressalto.
 Assustado com o que podia fazer, tão perto daquela árvore proibida, tratou de demarcar aquela árvore, com um risco no chão para que sempre que estivesse próximo, se lembrasse do perigo dela.

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