Adão tinha comido umas cerejas e gostado pra valer. Agora, procurava a cerejeira e não a encontrava em lugar nenhum. Perguntou para os tamanduás:
- Uma árvore muito gostosa - ele dizia.
- Não é essa? - apontavam os tamanduás.
- Não, essa é outra…
- E essa?
- Também não. É outra ainda.
Procurou a manhã inteirinha, mas ficava difícil para os animais saberem o que o homem procurava, pois nada no mundo tinha nome ainda. A única maneira era descrever a fruta, mas naquele mundaréu do Jardim do Éden, como encontrar?
Quando Deus encontrou Adão, ele estava sentado sobre uma pedra, coçando o queixo, ruminando a pergunta: “onde é que deixei a tal árvore?”
Deus estava com a boca toda vermelha, comendo cerejas. Nas mãos ele cuspia os caroços. Adão viu Ele se aproximando, comendo aquelas cerejas todas, então encolheu os ombros, ergueu as sobrancelhas e, se Deus tivesse colocado um rabo nele, estaria abanando muito.
- Você quer? - perguntou Deus.
Mas nem precisava responder.
Então Deus cavucou a terra com uma das mãos, abrindo um buraco, e ali enterrou os caroços. Abaixou-se e soprou no montinho, e a raiz perfurou a terra e ergueu-se como uma cobra de um cesto, e depois, abriu-se em galhos, e dos galhos folhas, e frutas, muitas cerejas. Lá estava a cerejeira toda com cataporas de cerejas.
- É sua - presenteou Deus.
Aí Adão ergueu as palmas de suas duas mãos em concha para Deus, aguardando-a cheia. Mas Deus, ao invés de enchê-la, segurou suavemente as mãos de Adão pelos punhos, e as ergueu até as frutas: Adão mesmo que as colheu. Foram as cerejas mais gostosas que já comeu!
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